Pular para o conteúdo principal

Mulheres na história


    No decorrer da semana celebramos o Dia Internacional da Mulher com uma minissérie especial de artigos sobre a figura da mulher na Bíblia. como parte final dessa reflexão, trago uma menção honrosa a algumas mulheres bíblicas que nos mostram que, além de criar e aperfeiçoar por seu Espírito as capacidades femininas, Deus também age através delas.


Escolhidas para o plano de Deus

    Algumas mulheres ficaram marcadas como peças fundamentais no histórico plano redentor de Deus, a começar por Eva, a mãe de toda a humanidade; mais tarde, vemos o início da Aliança através de Sara, sucedida por Rebeca e suas noras Lia e Raquel, mães das tribos de Israel juntamente com suas servas Bila e Zilpa (Gn 29.31-35; 30.1-24.). 

    Anos depois, a esposa de Manoá recebe a visita de um anjo que lhe revela ter sido escolhida para o plano de libertação de Israel (que era afligido pelos filisteus), gerando Sansão e conservando-o nos requisitos de seu nazireado (Jz 13).

    E dentro do plano da Salvação, não poderia ficar de fora Maria, mãe de Jesus, que com humildade e obediência aceitou as palavras do anjo para embarcar em uma maravilhosa porém difícil missão de acompanhar a vida, morte e ressurreição de seu filho e Senhor (Lc 1.38).


Fé determinada

    Outras mulheres ficaram marcadas como um exemplo de fé e perseverança. Ana derramou sua angústia diante de Deus e foi por ele atendida (1Sm 1.9-20); também Rute, a estrangeira moabita, não se deixou abater pela tragédia da morte em sua casa, e se dedicou a cuidar de sua sogra Noemi como uma filha, sendo abençoada por Deus com uma nova família que geraria o rei Davi - e, mais tarde, Jesus (Rt 4.14,15).

    E por falar em Jesus, encontraram-se com ele duas anônimas de fé admirável: a mulher do fluxo de sangue, que mesmo padecendo enfrentou a multidão confiada no poder do Messias (Mc 5.25-34), e a mulher cananeia, cuja fé foi provada e recompensada com a libertação de sua filha (Mt 15.21-28).


As revolucionárias

    Mesmo em tempos patriarcais e remotos, Deus usou a vida de mulheres corajosas para missões a elas incomuns. O maior exemplo é Débora, a profetisa que foi juíza em Israel e orientou Baraque na batalha de libertação contra Canaã (Jz 4.4-10). Nessa mesma ocasião, Jael foi responsável por derrotar o comandante do exército inimigo, tal qual Débora havia profetizado (Jz 4.17-24).

    Situações menos conhecidas mas ainda notáveis são a das filhas de Zelofeade, que no deserto buscaram o favor do Senhor por meio de Moisés e conseguiram o direito às mulheres de herdar propriedades da família (Nm 27.1-11); e de Seerá, filha de Efraim, de quem só foi registrado o impressionante feito de ter fundado três cidades (1Cr 7.24)!


Sabedoria admirável

    Fica evidente o agir do Senhor através das mulheres nos momentos em que elas foram a voz da sabedoria em meio ao desespero e dificuldade, quer em simples observações como a da já citada esposa de Manoá (Jz 13.22-23) e da jovem serva de Naamã, que indicou a seu senhor o caminho para a cura (2Rs 5.1-3); quer em verdadeiras missões de salvamento, como foi o caso de Abigail, que forçada a assumir as rédeas da situação no embate entre Davi e seu rude marido Nabal, salvou todos os homens de sua casa da morte, além de impedir a ação impetuosa de Davi (1Sm 25).

    E há aquelas que executam grandiosas missões de salvamento com uma simples palavra de sabedoria: em Abel-Bete-Maaca, uma mulher sábia livrou a cidade toda da destruição que Joabe estava prestes a provocar em perseguição a um único homem (2Sm 20.14-22).


As heroínas

    Em outras ocasiões, a coragem para agir foi mais importante. A vida de Moisés foi salva repetidas vezes dessa forma: sua mãe Joquebede desafiou a ordem do faraó e o escondeu ainda bebê para livrá-lo da morte, como as parteiras hebréias Sifrá e Puá, que salvaram a vida de inúmeras crianças por temor ao Senhor (Êx 1.15-21). Miriã, irmã de Moisés, o vigiou à beira do rio Nilo e propôs oportunamente à filha do faraó (também sua salvadora) que o criasse com a ajuda de sua própria mãe. Além disso, sua esposa Zípora o livrou do juízo de Deus por faltar com sua Lei na circuncisão de seus filhos (Êx 4.24-26).

    Também Raabe reconheceu o poder do Deus de Israel e salvou a vida dos espiões de Josué em Jericó (Js 2), bem como, muitos anos depois, Jeoseba salvou a continuidade da família real de Judá ao esconder Joás da rainha mãe Atalia (2Cr 22.10-12).

    Outro nome de grande prestígio foi Ester que, feita rainha do império persa, arriscou a vida para salvar seu povo do genocídio arquitetado por Hamã (Et 4.7-16).


As auxiliadoras

    Outro grande atributo feminino que sempre esteve presente na história é o auxílio; de fato, este foi o adjetivo que Deus usou ao criar a mulher: auxiliadora (Gn 2.18), e longe de ser um papel de menor destaque, pois esta qualidade é inúmeras vezes atribuída ao próprio Deus nas Escrituras!

    Vemos o exemplo da mulher sunamita que espontaneamente hospedou Eliseu (2Rs 4.8-37), da mesma forma que Lídia hospedou os discípulos em Atos (At 16.13-15). Também Priscila, juntamente com seu marido Áquila, foi grande colaboradora da igreja primitiva, cedendo sua casa para reuniões,  dando suporte a Paulo e orientando Apolo no ministério (At 18, 1Co 16.19).

    A discípula Dorcas, que fora ressuscitada por Pedro, causava um grande impacto social com sua caridade (At 9.36-41); Loide e Eunice, respectivamente avó e mãe de Timóteo, também foram lembradas por Paulo como exemplo da fé verdadeira que ensinaram ao jovem ministro (2Tm 1.5). 

 Assim como elas, as mulheres que acompanhavam o ministério de Jesus, dentre as quais estavam Maria, Maria Madalena e Salomé, mãe de Tiago e João (Mt 27.55,56; Mc 15.40,41), e as irmãs Maria e Marta também acolheram o Evangelho e deram suporte em muitos momentos.


As proclamadoras do Reino

    Por fim, houve aquelas que foram mensageiras do Senhor, como a Profetisa Hulda, que declarou ao rei Josias o juízo de Deus para o povo (2Cr 34.22-28); e, anunciando o Reino, temos a profetisa Ana, uma das primeiras pessoas a anunciar a chegada do Messias (Lc 2.36-38), assim como a Mulher Samaritana, que testemunhou a toda a cidade sobre o Salvador (Jo 4.39).


    Há muitas outras mulheres citadas na Bíblia, como bons e maus exemplos, mas por este resumo podemos perceber que Deus não diminui as mulheres, mas ama e capacita para o seu propósito todos e todas que creem para a Salvação:

"Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus." (Gálatas 3:28)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Estudo Bíblico: O cativeiro na Babilônia

Foto de  Miguel Á. Padriñán  no  Pexels A Assíria, pelas mãos de Salmaneser, tomou Israel - o reino do norte - do rei Oséias,  dando início ao cativeiro assírio em 722 a.C. ( 2Rs 17.1-23 ). Ela era a maior potência do Oriente  Médio na época, até que, em 612 a.C. (isto é, 110 anos depois), sua capital Nínive foi derrubada  pela Babilônia, que tomou seu lugar e tornou-se a potência maior. Apenas 15 anos depois, em  597 a.C., a Babilônia toma Jerusalém, marcando o fim do reino de Judá e o início do cativeiro  babilônico pelas mãos de Nabucodonosor ( 2 Cr 36.15-23 ). Jerusalém foi completamente destruída  em tudo que a ligava a seu passado com o Deus da Aliança em 586 a.C: tanto os palácios como o  Templo de Salomão foram saqueados e incendiados, as muralhas foram destruídas e o povo  sobrevivente foi escravizado. Conforme a palavra do profeta Jeremias ( Jr 29.4-14 ), o reinado da Babilônia duraria 70  anos*, tempo em qu...

Simplicidade: o desafio em meio à crise da pandemia

Com a crise econômica gerada pela pandemia, nossa simplicidade como estilo de vida passa por grandes provações A simplicidade é sem dúvida um ponto importante da conduta de um discípulo de Jesus porque, afinal de contas, era uma das principais características do próprio Jesus -  talvez a mais surpreendente, d iante de sua glória e poder ( 2Co 8.9 ). Em seu livro, John Stott aborda a simplicidade com foco no sentido financeiro, e propõe o conceito como o lifestyle da nossa nova vida em Cristo; este estilo de viver, embora dependa de um compromisso pessoal, é necessariamente de interesse comunitário. Jesus declarou em Mt 6.24 que só podemos ter um Senhor: ou Deus ou o dinheiro. Essa não é uma mensagem para ricos gananciosos, mas para todos, pois a preocupação excessiva com a renda e a despesa de amanhã pode nos governar e tirar de nossos corações a soberania de Deus ( Mt 6.25-33 ). A simplicidade implica depender de Deus e nele confiar, pois o apego às questões materi...

Pandemia: o tempo roubado

     Estamos vivendo a realidade da Pandemia do Coronavírus no Brasil há um ano. Em 26 de fevereiro de 2020 foi confirmado o primeiro caso no país, e em 20 de março, o Ministério da Saúde reconhecia oficialmente a transmissão do vírus em todo o território nacional, a partir do que veríamos nossa vida mudar de forma brusca e atordoante.     Para muitos, o confinamento e as consequências socioeconômicas significaram a interrupção de planos, crise de carreira e empreendimentos, cancelamento de cursos universitários e, até mesmo, a suspensão do projeto familiar: em janeiro de 2021, o Brasil registrou a maior redução de natalidade de sua história.     Nessas condições, a lguns esperam que tudo se  normalize  para retomar de onde pararam; outros buscam novos caminhos para alcançar seus objetivos.  De forma geral, sentimos que  nosso tempo, vida e propósitos  nos foram  roubados,  e esse sentimento de frustração nos leva a u...