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Mostrando postagens com o rótulo Estudos Bíblicos

Por que ler "O Discípulo Radical"

     Conduzo estudos Bíblicos há alguns anos, principalmente para jovens, e uma preocupação que sempre tenho é selecionar e indicar bons livros que ajudem no estudo da Palavra. Sempre reforço que a Bíblia deve ser o ponto de partida: não podemos filtrar ou avaliar nenhuma visão sobre Deus sem conhecer o que ele diz sobre si mesmo. Mas há uma infinidade de bons livros que auxiliam a nos aprofundar no seu ensino.      Pensando nisso, comecei esta série de artigos a fim de avaliar e recomendar livros que me ajudaram a crescer no conhecimento de Deus e, creio, podem alimentar em outras pessoas o interesse pelas profundas riquezas do conhecimento de Cristo.     Para inaugurar, então, esta série, escolhi um de meus livros favoritos: O Discípulo Radical , de John Stott.     Este livro de 2010 foi o último deste grande autor cristão no auge de seus 88 anos. John Stott,  britânico,  falecido em 2011, foi pastor emérito da All Souls Chur...

O preço da ignorância

     A associação entre o orgulho e a ignorância é a mais poderosa arma do homem contra si mesmo. O orgulho fala imperiosamente sobre o que não entende; já a ignorância afasta tudo que possa desmascarar o orgulho. À ignorância pode-se nomear de religiosidade quando o "cristão", ignorando o conhecimento de Deus pela Bíblia, insiste em acreditar que pode ter um relacionamento com ele a qualquer tempo e a seu próprio modo, conforme a necessidade.     Para atacar essa ignorância dentro de nós, te convido a abrir a Bíblia e refletir sobre como o Deus Eterno vê esta atitude.      O livro de Levítico registra as especificações e exigências para o trabalho dos sacerdotes, o mais rigoroso e sério chamado que se podia receber, pois era a mediação entre Deus e o povo. Israel foi separado por Deus para ser seu reino de sacerdotes ( Ex 19.5-6 ), a "ponte" entre Deus e todos os outros povos da Terra. Tal missão exigia fidelidade, santidade e extremo zelo pela ...

O compromisso de Deus conosco

       Muito se prega hoje sobre o amor e a bondade de Deus (e com razão), mas pessoalmente sinto falta de uma parte fundamental deste tema em muitas dessas pregações. Dizer que Deus é amor sem primeiro enfatizar quem é Deus tem levado pessoas a grandes equívocos, como pensar que ele nos deve amor e bondade porque, afinal, ele nos criou e é responsável por nós,  ou mesmo que, se ele realmente nos ama, tem a obrigação de respeitar nossas escolhas e vontades, pois nos fez conscientes.      Deus é Autoridade acima de toda autoridade, o Primeiro e Último. Em  Jó 41:11  ele declara: " Quem primeiro me deu alguma coisa, que eu lhe deva pagar? Tudo o que há debaixo dos céus me pertence". Da mesma forma, em Rm 9.18-22 , Paulo fala sobre a soberania de Deus, mostrando que ele está definitivamente além de qualquer poder humano: " Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me ...

Quebrando as regras: liberdade x liberalismo

      Desde os mais remotos tempos, diferentes crenças e culturas associam o ideal de pureza (física e espiritual) a restrições e ritos materiais: datas santas, alimentos proibidos, lugares restringidos e até pessoas impuras. O próprio Jesus foi impugnado pelos fariseus ao agir na contramão destas regras ( Mc 2.14-28 ). A Bíblia nos esclarece que tais restrições são, por si só, tradições terrenas sem valor, e que Jesus, o Puro Cordeiro de Deus, nos purificou de uma vez por todas, de modo que somos livres das religiosidades. Não recebemos uma fé de podes-e-não-podes, e sim um relacionamento construtivo com Deus ( Cl 2.20-23 ). Mas todo esse desprendimento tem um propósito direcionador, sem o qual a liberdade no Espírito se transforma em liberalismo. A Bíblia constantemente nos chama a atenção para esta fundamental diferença, e nos fornece orientação para discernir entre liberdade e liberalismo - aqui sintetizada em três pontos: O CORPO: O corpo é a materialização ...

Os caminhos do amor

     O homem foi criado imagem e semelhança de Deus; se Deus é amor, logo, o amor é parte vital do nosso ser ( 1Co13.1 ) . Mas sabemos que o pecado busca distorcer aquilo que Deus criou para ser perfeito, e este sentimento que é a assinatura do Criador também é deformado pelos ideais deste mundo.   Hoje vemos (infelizmente) índices altíssimos de suicídio e doenças emocionais em todo o mundo, em grande parte decorrente de problemas relacionais. Por consequência, tem crescido a conscientização sobre o assunto, juntamente com movimentos de valorização pessoal, o que é muito importante no combate ao problema. Mas em meio a esta conscientização brotam ideais hedonistas e egoístas, que se valem do discurso de “não buscar agradar aos outros” como subterfúgio para fugir ao nosso compromisso com Deus e o próximo, tratando de forma leviana temas como reciprocidade e preservação da saúde mental A Bíblia nos dá o conhecimento que liberta destes discursos infrutíferos e degra...

A Trilogia de Belém

Foto de  Oladimeji Ajegbile  no  Pexels Os últimos capítulos de Juízes formam juntamente com o livro de Rute a chamada “Trilogia de Belém”, um conjunto de registros onde a cidade de Belém de Judá figura proeminentemente para traçar as origens da monarquia davídica e justificar sua existência em oposição à linhagem de Saul (benjamita). As três histórias datam do período dos Juízes, o qual é repetidamente descrito como um tempo em que “não havia rei; cada um fazia o que achava correto”. Isso significa que era um tempo idólatra, perdido e supersticioso, onde o povo de Israel se misturou com os povos perversos de Canaã e corrompeu-se, como vemos em Jz 17-21 . Aqui, vemos duas histórias que contam ocorridos avessos em relação à Aliança, deixando clara a carência de direção em Israel. Na primeira, um homem de Efraim chamado Mica construiu seu próprio santuário pagão, nomeando seu filho como sacerdote, que mais tarde seria substituído por um levita de Belém que procurava ca...

Simplicidade: o desafio em meio à crise da pandemia

Com a crise econômica gerada pela pandemia, nossa simplicidade como estilo de vida passa por grandes provações A simplicidade é sem dúvida um ponto importante da conduta de um discípulo de Jesus porque, afinal de contas, era uma das principais características do próprio Jesus -  talvez a mais surpreendente, d iante de sua glória e poder ( 2Co 8.9 ). Em seu livro, John Stott aborda a simplicidade com foco no sentido financeiro, e propõe o conceito como o lifestyle da nossa nova vida em Cristo; este estilo de viver, embora dependa de um compromisso pessoal, é necessariamente de interesse comunitário. Jesus declarou em Mt 6.24 que só podemos ter um Senhor: ou Deus ou o dinheiro. Essa não é uma mensagem para ricos gananciosos, mas para todos, pois a preocupação excessiva com a renda e a despesa de amanhã pode nos governar e tirar de nossos corações a soberania de Deus ( Mt 6.25-33 ). A simplicidade implica depender de Deus e nele confiar, pois o apego às questões materi...

O cuidado com a Criação

Em seu estudo sobre as características de um verdadeiro discípulo, John Stott trata de um assunto muitas vezes negligenciado pelas igrejas: a responsabilidade ambiental individual dos cristãos. Este assunto não pode ser deixado de fora na vida de um discípulo de Cristo, porque desde o princípio do mundo ele está essencialmente ligado a nós, como veremos a seguir. Temos que cuidar da criação porque estamos ligados a ela por Deus Ao criar o mundo, Deus estabeleceu três tipos de relacionamento fundamentais para o homem: primeiro, com o próprio Deus, como seu Criador; segundo, com seus semelhantes, pois fomos criados para a coletividade ( Gn 2.18 ); e, terceiro, com toda a terra e seres por Deus criados ( Gn 1.28-29 ; 2.15 ).  No momento em que o homem pecou, estes três relacionamentos foram distorcidos: Adão desobedeceu a Deus, acusou Eva por seu pecado e, em consequência do pecado, ambos foram amaldiçoados  juntamente com a terra criada  ( Gn 3.12 - 23 ). Porém...

Estudo Bíblico: A Presença de Jesus no Antigo Testamento

Foto de Pixabay Para entender a Bíblia como um todo, precisamos  compreender primeiro o seu propósito: ela não foi escrita para fins  científicos (pois revela informações que a ciência humana jamais alcançaria por si só),  literários (pois, principalmente no N.T., prioriza a essência da mensagem, e não o estilo) e nem filosóficos (pois,  a exemplo da questão do sofrimento, de forma geral, está mais focada em oferecer  orientações práticas de como lidar com ele do que em filosofar sobre sua origem e razões). A Bíblia é um livro com propósito prático para a Salvação , e essa Salvação se dá  unicamente por meio de Jesus Cristo ( 2Tm 3.15-16 ). Por isso, toda a Palavra  fala sobre Jesus, desde o Antigo Testamento, na Lei , nos Profetas e nas Escrituras ( Lc  24.44 ). CRISTO NA LEI: A Lei é a divisão do Antigo Testamento que corresponde de Gênesis a  Deuteronômio. Nela já era anunciado que o Messias viria como homem, seria judeu...

Estudo Bíblico: Guia da história de Israel

Foto de  Oladimeji Ajegbile  no  Pexels Nos estudos que dirijo na Escola Dominical sempre enfatizo a importância de se aprofundar no contexto dos acontecimentos para entender a mensagem bíblica de forma mais completa. Hoje temos uma grande variedade de materiais que nos permitem compreender a história e cultura dos tempos bíblicos e, assim, ter uma visão clara da narrativa como um todo. Para facilitar o estudo da classe, montei este pequeno guia dos livros históricos em relação aos períodos da história de Israel e os temas por eles abordados. Bons estudos! Guia para estudos dos livros históricos: A origem do Povo de Israel (Patriarcas): Gênesis (cap.12-50); Da escravidão no Egito à libertação: Êxodo  (até o cap. 15) ; O período no deserto até a Terra Prometida:   Êxodo  (a partir do cap. 16) ; Levítico, Números (até o cap. 21); Chegada à Canaã: Números ( a partir do cap. 22 ), Deuteronômio; Conquista da Terra prometida:...

Estudo Bíblico: A restauração de Jerusalém

Foto de  Haley Black  no  Pexels Depois de anos mantendo Israel em cativeiro, em 539 a.C a Babilônia foi dominada pelo Império Persa do rei Ciro* (2 Cr  36.22-23). Diferente dos antigos Assírios, que impunham aos povos conquistados a adoração a  seus deuses e se orgulhavam de “subjugar” os deuses de seus súditos, Ciro, o Persa, tinha uma  política mais respeitosa com relação aos deuses estrangeiros, chegando mesmo a adotar a  adoração a eles, como se vê em Dn 6.26-27. Assim, por ordem de Deus, ele promoveu um  decreto para repatriar o povo judeu, permitindo-lhe voltar a Judá e reconstruir Jerusalém. Vale ressaltar que essa atitude magnânima em relação à religião alheia não era senão uma estratégia política do governo medo-persa, na intenção de promover o rei como sendo escolhido, aprovado pela divindade dos povos subjugados (ao invés de um conquistador tirano), o que favorecia sua aceitação como governante por tais povos. A reconstrução...

Estudo Bíblico: O cativeiro na Babilônia

Foto de  Miguel Á. Padriñán  no  Pexels A Assíria, pelas mãos de Salmaneser, tomou Israel - o reino do norte - do rei Oséias,  dando início ao cativeiro assírio em 722 a.C. ( 2Rs 17.1-23 ). Ela era a maior potência do Oriente  Médio na época, até que, em 612 a.C. (isto é, 110 anos depois), sua capital Nínive foi derrubada  pela Babilônia, que tomou seu lugar e tornou-se a potência maior. Apenas 15 anos depois, em  597 a.C., a Babilônia toma Jerusalém, marcando o fim do reino de Judá e o início do cativeiro  babilônico pelas mãos de Nabucodonosor ( 2 Cr 36.15-23 ). Jerusalém foi completamente destruída  em tudo que a ligava a seu passado com o Deus da Aliança em 586 a.C: tanto os palácios como o  Templo de Salomão foram saqueados e incendiados, as muralhas foram destruídas e o povo  sobrevivente foi escravizado. Conforme a palavra do profeta Jeremias ( Jr 29.4-14 ), o reinado da Babilônia duraria 70  anos*, tempo em qu...